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“A sala da fulana é super quieta… pena que não é o meu caso.”

O peso silencioso das comparações na vida de quem educa


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“Na sala da fulana, as crianças ficam em silêncio.”

“Com a outra professora, meu filho já sabia escrever.”

“Lá na escola da minha sobrinha, eles aprendem bem mais rápido…”

Talvez você já tenha escutado algo assim, ou pior: talvez tenha sentido isso ao se comparar com outra professora, outra sala, outro método, outro resultado e o pensamento veio, sutil e doloroso:

"Pena que não é o meu caso."

Mas e se a gente olhar com mais cuidado pra esse “caso”?


Comparações na educação: um vício silencioso

Na educação, a comparação virou um hábito tão comum que a gente mal percebe, pais comparam filhos, professores comparam turmas, escolas comparam metodologias, coordenadores comparam resultados.

E no meio disso tudo… alguém sempre sai machucado.

Às vezes, quem apanha é a criança, mas muitas vezes, quem carrega o peso invisível é o professor.


O problema da comparação é que ela rouba o contexto.

Dizer que uma turma "é melhor" que a outra sem olhar o histórico, a realidade, o perfil dos alunos ou a quantidade de apoio disponível… é como comparar árvores diferentes pelo tempo que levam pra florescer, parece justo, mas não é.

É fácil elogiar a sala da colega sem saber:

– Que ela tem menos alunos.

– Que os pais dela são mais participativos.

– Que ela teve formação específica.

– Que a turma anterior já veio bem estruturada.

– Ou até que ela tá esgotada por manter aquela “ordem” o tempo todo.

E mesmo que ela realmente tenha uma rotina incrível…isso não diminui o valor do que você faz aí.


Cada professora carrega uma missão. E nenhuma é igual.

Tem quem ensina o alfabeto.

Tem quem ensina a se acalmar.

Tem quem planta a autoestima.Tem quem acolhe o choro.

Tem quem cria pontes entre escola e família.

E tem quem faz tudo isso ao mesmo tempo, com sorriso no rosto e papel na mão.


"Mas e se a comparação vier dos pais?"

Respira. Escuta com calma. E lembra:Nem todo pai sabe o que acontece na sala de aula.Muitos julgam por insegurança. Outros, por ansiedade.Muitos não querem te desrespeitar — só não sabem expressar suas preocupações de outro jeito.

Você não precisa provar valor o tempo todo.

Seu trabalho se mostra nos olhares, nos avanços, nas pequenas vitórias que ninguém mais vê.


E se for você se comparando com outra professora...?

Tá tudo bem sentir isso de vez em quando.Você é humana.

Mas quando esse sentimento vier, troca a pergunta. ao invés de “Por que eu não consigo ser assim?”, tenta:“O que eu faço de único que ninguém mais faz como eu?”

Essa resposta pode mudar a forma como você se vê.


No fim, talvez a sala da fulana seja incrível mesmo. Mas a sua também é. ✨


Ela pode ser mais barulhenta, mais bagunçada, mais cheia de abraços, de conversas, de desafios…e também de aprendizados que não cabem num boletim.

Então da próxima vez que você ouvir: “Na sala da fulana é diferente…”, você pode até pensar:“Pena que não é o meu caso", mas agora, com um sorriso no rosto, porque o seu caso é especial do seu jeito.

E é isso que te faz única.


Se esse texto falou com você, compartilha com alguém que também precisa ser lembrado disso.Juntas, somos mais fortes, cada uma com sua história, seu ritmo e sua missão. ❤️

 
 
 

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